segunda-feira, outubro 31, 2005

Abismo


Estou no abismo
No abismo das palavras
No abismo das decisões...
O que é certo ou errado?
O que é bom ou mau?
O que faço?
Ataco já, ou deixo-me ser atacada?
Sofro tudo de uma vez
Ou continuo morrer aos poucos?
A fingir que não se passa nada
A viver de mentiras e ilusões?
O abismo torna-se cada vez mais envolente
Quase que caio no precipício das palavras
E me despenho no dos corações...
Será que quero continuar em frente?
Saberei mesmo o que me espera lá no fundo?

domingo, outubro 30, 2005

Sozinha


Porque partiste?
Porque me deixaste?

A minha alma veste-se de negro
Entro num nevoeiro intenso
E num beco sem saída.

Queria voltar atrás na estrada
Que me conduziu aqui
O meu coração não me conta onde estás
E a minha cabeça não o quer dizer!

Porque partiste?
Porque me deixaste?

segunda-feira, outubro 24, 2005

Quero Saber


Quero saber quem é que eu sou
Quero saber para onde vou
O que faço eu aqui
Digam-me de onde é que eu vim!

Quero sonhar até mais não
Quero pegar na tua mão
Quero saber porque é que o céu
É tão grande e tão azul!

Quero sentir o teu calor
Anda vem e abraça-me amor
Que eu sempre gostei de ti
Quero ter-te e ser feliz!

Quero cantar até mais não
Quero sonhar uma canção
Quero ter-te ao pé de mim
Quero saber o que é que eu quero!

domingo, outubro 23, 2005

Desejo


Sinto por vezes vontade
De deixar de existir!
Não é que não goste da vida...
Pelo contrário;
Admiro-a bastante!

Queria apenas ver,
Queria saber,
Quem estaria em meu lugar...
Quem usaria as minhas roupas...
Quem moraria em minha casa...
Quem dormiria em minha cama...

Queria saber como seria
O que vivia e o que sentia
E queria sobretudo ver...
Se eu cá faria alguma falta!

Súplica


Quero pedir-te, vida
Para que olhes para mim
Para que
Não deixes que nada faça.

Peço-te vida,
Cada vez mais sonhos,
Cada vez mais lindos,
Cada vez mais meus.

Peço-te vida, sensações
Sejam boas ou más
Que me façam sofrer ou não.

Peço-te vida, amigos
Mas amigos do coração
Daqueles com que posso contar.

Peço-te vida, alegria
Para que tenha para mim
E que possa dar aos outros.

Peço-te vida, coragem
Para continuar a viver
Para ser eu mesma.

Peço-te vida, amor
Para amar e amar
Toda a terra e todo o céu.

Peço-te vida...
Que me deixes viver!

quinta-feira, outubro 20, 2005

Amigo Vento



Meu querido amigo vento
Que embalas os pinheiros
Onde estás neste momento?

Vento, vento, meu amigo
Que tornas a leve brisa
Numa canção de embalar...

Vento, vento tão querido
Que afastas meus cabelos da face
E enxugas minhas lágrimas...

Vento, vento meu ventinho
Que por vezes me dás beijinhos
E eu fico envergonhada...

Vai levar um beijo meu
Ao meu amor que está longe!
E dá-lhe todo o meu Amor
Juntamente com meu beijo!

Quando lho entregares
Volta ainda mais depressa;
Para que me possas entregar
O beijo que ele me vai mandar!

quarta-feira, outubro 19, 2005

Lágrimas II


Mais uma vez tenho de chorar
Acho que já se tornou
Num hábito para mim,
Ou num vício ou dependência.
Já não sei viver sem chorar!

Tudo não passa duma miscelanea
De ideias ou sentimentos
Onde um ou outro
Faz gerar mais ou menos lágrimas!

No fundo... não me importo
Choro porque choro
Choro porque não sei
Mais se não chorar.

Pelo menos sou eu que o faço
E, ao fazê-lo
Alguém olha para mim;
Nem que seja só por pena
De ver alguém como eu a chorar!

terça-feira, outubro 18, 2005


Ás vezes é bom estar sozinha
Para se pensar no que se pensa
Consigo escrever melhor
Quando estou sozinha
Nada me distrai
Nada penetra em minha alma
Só as palavras vêm ter comigo.

É bom fazer um retorceder no tempo
Só assim.... de vez em vez;
Dá para me orgulhar de mim.

Tantas vezes estive perdida,
Sem rumo... sem caminho
E sem mapa para seguir...
Quantas vezes me revoltei
Contra mim mesma, e me culpei
Por tudo aquilo que não tenho culpa...

Até esses momentos
São bons para recordar.
Recordo que vivi
Recordo que sofri
Recordo que venci!

segunda-feira, outubro 17, 2005



Há já tanto tempo que...
Choro e limpo as lágrimas
Caio e me levanto
Morro e Ressuscito...

Após cada queda, após cada Morte,
Renasço diferente!
Perde-se muito pelo caminho
De alegria
De força
De tudo...

Um destes dias
Não vou continuar a ter forças
Para me conseguir levantar
Um destes dias
Vou morrer de verdade
E desta vez... Para sempre!

Saudades



Tantas saudades eu sinto,
Tantas saudades de ti!

Memórias estranhas que nós temos
Que quando pensamos estarem
Bem no fundo de um baú...
Eis que voltam à superfície
E se entranham em nossa mente.

Já tinha saudades de ti;
Mas, passado tanto tempo...
Ainda dói tanto recordar...
Magoa... Fere...
A vida torna-se mais simples
Quando tento esquecer que exististes;
A sensação de PERDA, SOLIDÃO
Deixa de ser tão costante!

Mas...
Como posso esquecer-te
Como posso lembrar-te
Quando tudo o que respiro... és TU
Quando tudo o que vejo... és TU
Quando tudo o que sou... és TU?

Por favor
Continua a surgir
Nas minhas memórias
Nos meus pensamentos...

sábado, outubro 15, 2005

Lágrimas


Não quero o passado
Não quero as amargas recordações
De uma vida que não foi minha!
Rola-me pela face uma lágrima...
E outra...
E mais outra...

Não me consigo libertar
Desse mundo que me acorrentou.
As amarras são muito fortes,
E eu sou muito fraca
Para me conseguir libertar;
Sou muito fraca para conseguir partir!

No fundo, talvez até medo
De conseguir quebrá-las
Talvez tenha até medo de...
Após ter soltado as correntes
Não conseguir voltar ao passado,
Nem que seja apenas
Para ver como sofria.

Torna-me a rolar
Uma lágrima pela face...
E outra...
E outra...
E mais outra...

Relembro o passado
Nesta estrada de memórias;
Revivo a tristeza
Neste sonho de amargura;
E choro
Neste vale de gritos.

Quero libertar-me
Das recordações de outra vida;
Daquele passado
Que quero esqueçer.

Mas as imagens
Dessa vida que não quero
Voltam... e revoltam tudo em mim!

quarta-feira, outubro 05, 2005

PERDÃO



Pelo tempo que perdi...
Pelas vezes que te deixei...
Pelos sonhos que não dividi...
Por tudo que não te contei...

Pelos momentos em que não estive
Lado a lado junto a ti...
E por outras quantas vezes
Que sem dar por isso, te esqueçi...

Pelos beijos que te não dei...
Pelos abraços a que não cheguei...
Pelo mal que te fiz passar...

Pelos risos que não dei...
Pelas lágrimas que chorei...
E pelas que te fiz chorar...
Eu te peço: Perdão!

terça-feira, outubro 04, 2005


Sou uma rocha
Que vagueia no leito de um rio
Num rio que nasce em duas nascentes
E desagua em dois mares.
A água leva-me....
Para tráz... e para a frente...
Quando penso que por fim
Estou a chegar à fóz
Eis que o rumo torna a mudar
E vou entre grandes ondas
A caminho do outro mar!
Quando estiver lá a chegar,
Voltarei para desaguar aqui...

Porto de lembranças

Neste porto de lembranças
Já poucos barcos restam
Vão partindo sem pedir
E vão ter contigo aos poucos

Não sei ao certo
Quantos deles me deixaram
Mas restam poucos
Onde possa navegar!

E se um dia venho ao cais
E não encontro nenhum?
Como vou navegar?
Como vou ter contigo?

EU


Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada.... a dolorida...

Sombra de névoa ténue e esvaecida.
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo para me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca